21h29 - Com o cair da noite e da temperatura chegou a hora de os Walter Benjamin deixarem a sua marca no Sintra Misty, com o palco mais preenchido desta edição - bateria, baixo, teclados e ainda uma segunda guitarra. O concerto começou morno, sobretudo graças à faceta mais intimista dos portugueses, comandados por Luís Nunes - uma clara aposta num ambiente lo-fi que enternecesse os presentes.
Mas cedo se provou que é no indie rock que os Walter Benjamin dão cartadas certeiras, em que a combinação das teclas vintage com a guitarra desafinada, a dicção de Nunes a lembrar Eddie Vedder, o baixo e a bateria são um ingrediente óbvio para o sucesso - encontramo-los em "Soldier", malha rock de 48 segundos.
Mas talvez seja esse o buraco por onde passa o pecado: por vezes, é quando as coisas correm melhor à banda portuguesa que esta decide pôr fim a um tema bem "esgalhado". Apesar de tudo, para contrariar essa ideia, e depois de canções notáveis como "Cannonball", "South Side" e "Paris", eis que surge "Breath Well", o final apoteótico de um concerto que ainda viria a ressuscitar para um encore - novidade absoluta no Sintra Misty. Os Walter Benjamin tinham a missão cumprida, após um espectáculo que conheceu um crescendo óbvio.
22h30 - Foi um momento de informalismo levado ao limite. Soundcheck ali, no instante em que se sentava. Tinha vindo de avião no dia. Chegou a apanhar um choque nos lábios, quando testava o microfone. Pediu para baixarem as luzes - disse que a fotógrafa da BLITZ, Rita Carmo, não gostava de muita luz. Pedido concedido. Ali estava Márcia, com a guitarra de cordas de nylon ao colo, a começar a actuação a meio do teste de som. O espectáculo que se seguiu foi de uma delicadeza notável.
O olhar enternecido e sorridente dos que assistiam ajudava a explicar isso mesmo. Márcia serve-se da voz, das palavras e da guitarra para embalar quem a ouve. Por vezes, só com o baixar das luzes nos apercebemos de que estamos perante o fim da viagem em que nos transportou durante uns disfarçadíssimos quatro minutos - foi assim em "Ca Me Dit", "Misturas" e "A Mentira".
Até que, a duas canções do fim do concerto, decidiu recrutar Luís Nunes e a sua caixinha de música para uma canção de embalar, muito bem recebida pela audiência. Porém, não satisfeita com o resultado do extraordinário tema que acabava de empunhar, convocou Nuno Lucas - baixista dos Walter Benjamin - para subir ao palco e fazer daquele o grande momento do dia.
Levantou-se, largou a guitarra e quase improvisou, chegando mesmo a reiniciar a canção por não se lembrar da letra. E, mesmo com o público na palma da mão, afastando-se da sua zona de conforto, Márcia voltou a encantar. Passava já das 23h15 quando abandonou o palco.
Tirado do site da Blitz.
Ver também: http://www.myspace.com/fraiseavantgarde
http://www.myspace.com/iamwalterbenjamin
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
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