sexta-feira, 21 de outubro de 2011
domingo, 16 de outubro de 2011
terça-feira, 11 de outubro de 2011
domingo, 9 de outubro de 2011
O Cinzento
fica entre o azul esbatido
e o rosa
desmaiado,
ou entre o teu nariz
e o meu
pescoço.
está em tudo o que levas sem saber
se queres.
Motineiro de Londres,
a importância sou eu
que te ofereço.
vem no pack, comigo,
mesmo quando zombas
das vozes que me gritam
aos ouvidos, lembrando a solidão.
da jardinagem em solo estéril
só nasceram palavras.
estas, minhas.
frutos
de benfeitorias.
e o rosa
desmaiado,
ou entre o teu nariz
e o meu
pescoço.
está em tudo o que levas sem saber
se queres.
Motineiro de Londres,
a importância sou eu
que te ofereço.
vem no pack, comigo,
mesmo quando zombas
das vozes que me gritam
aos ouvidos, lembrando a solidão.
da jardinagem em solo estéril
só nasceram palavras.
estas, minhas.
frutos
de benfeitorias.
sábado, 8 de outubro de 2011
Uma caixa de cimento fresco. Deita-o
lá dentro. Mete-te na mota, arranca, não
penses mais nisso. A sul, há mulheres
cujo futuro é um avião que não deixa
traços no céu. A norte, se preferires,
há-as engarrafadas, em decilitragens
as mais diversas. Com os homens
é a mesma coisa, dois dedos de conversa
e uns quantos cubos de gelo. Meia
hora chega para ir repondo o stock
de episódios com que fingir que estamos
vivos. Isso deve bastar-te, excepto
se te achares mais do que os outros
e Deus te livre de uma coisa dessas.
É isso: aprende a metafísica das
t-shirts brancas, das curvas apertadas,
da velocidade calma. O resto é
conversa de poetas, filósofos, historia-
dores, que fumam mais do que vêem
e lêem mais do que assobiam ao sair
à rua. O resto é uma perda de tempo
e não eras tu o tal que tanto nos
maçava com a iminência da
morte, com a falência da Sociedade
por quotas, com a genealogia
dos suínos? Aproveita agora esta
oportunidade de não ser nada
contigo; juro-te que ninguém
te vai levar a mal; envia, apenas,
um postal de Tânger e um contacto,
para o caso de o Emanuel ou a
Angelina quererem ir de férias e
precisarem de um sítio onde ficar.
Não é pedir muito em troca da
tua liberdade. Vá! Uma caixa de
cimento fresco. Deita-o lá dentro.
Sabes do que estou a falar. Ver-
melho escuro. Isso. O coração.
Miguel Martins
in P2, Público de hoje
lá dentro. Mete-te na mota, arranca, não
penses mais nisso. A sul, há mulheres
cujo futuro é um avião que não deixa
traços no céu. A norte, se preferires,
há-as engarrafadas, em decilitragens
as mais diversas. Com os homens
é a mesma coisa, dois dedos de conversa
e uns quantos cubos de gelo. Meia
hora chega para ir repondo o stock
de episódios com que fingir que estamos
vivos. Isso deve bastar-te, excepto
se te achares mais do que os outros
e Deus te livre de uma coisa dessas.
É isso: aprende a metafísica das
t-shirts brancas, das curvas apertadas,
da velocidade calma. O resto é
conversa de poetas, filósofos, historia-
dores, que fumam mais do que vêem
e lêem mais do que assobiam ao sair
à rua. O resto é uma perda de tempo
e não eras tu o tal que tanto nos
maçava com a iminência da
morte, com a falência da Sociedade
por quotas, com a genealogia
dos suínos? Aproveita agora esta
oportunidade de não ser nada
contigo; juro-te que ninguém
te vai levar a mal; envia, apenas,
um postal de Tânger e um contacto,
para o caso de o Emanuel ou a
Angelina quererem ir de férias e
precisarem de um sítio onde ficar.
Não é pedir muito em troca da
tua liberdade. Vá! Uma caixa de
cimento fresco. Deita-o lá dentro.
Sabes do que estou a falar. Ver-
melho escuro. Isso. O coração.
Miguel Martins
in P2, Público de hoje
Subscrever:
Comentários (Atom)
