segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Silence of the Lambs
tapa os ouvidos se o alarme nao pára
não abras os olhos se ouvires o black&decker
o grasnar contínuará on and on
e os balões rebentam-te na cara.
for people can only see their height.
Tranquei os olhos.
O cano frio beijou-me o cabelo
Ouvi o gatilho na orelha
Click.
Pancada seca
Parte um ovo
Estilhaços
Desenham raízes
Desenham raízes
Partem do epicentro enquanto
A bala submerge
Exibe-se para o ar
Puxa-o, frio, para o cinzento.
Houdini mergulha,
Destranca e – magia!
Já lá não estão:
Nem os olhos,
Nem o cinzento.
Só as raízes.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
P.S: com sol acredito no que quiserem.
P.p.s: CHICAGO !
P.p.s: os gestos da mão viriam a inspirar os coreógrafos dos BSB.
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011
Neutro
Acredito no poder do neutro.
Na impressão de liberdade no silêncio.
Na mobilidade na falta de pessoas.
Neutro.
Acredito no repúdio do standart.
Na multiplicidade de vias de auto-afirmação.
Na pluralidade de formas de expressão.
Neutro.
Acredito na rejeição de convenções.
No pacta sunt servanda.
Na condição dos rótulos.
No moldar dO Estilo.
Neutro.
Acredito que o Indie está na moda.
Na obcessão plo original como vício do sentimento livre.
Na redução do mainstream.
No ridículo da perfeição.
Neutro.
Acredito na piada da estupidez.
Na necessidade da desconstrução.
Na humildade da aprendizagem.
Neutro.
Acredito que não acredito.
E que não acredito apenas nisto.
Acredito que (o) posso.
Porque quero.
Na impressão de liberdade no silêncio.
Na mobilidade na falta de pessoas.
Neutro.
Acredito no repúdio do standart.
Na multiplicidade de vias de auto-afirmação.
Na pluralidade de formas de expressão.
Neutro.
Acredito na rejeição de convenções.
No pacta sunt servanda.
Na condição dos rótulos.
No moldar dO Estilo.
Neutro.
Acredito que o Indie está na moda.
Na obcessão plo original como vício do sentimento livre.
Na redução do mainstream.
No ridículo da perfeição.
Neutro.
Acredito na piada da estupidez.
Na necessidade da desconstrução.
Na humildade da aprendizagem.
Neutro.
Acredito que não acredito.
E que não acredito apenas nisto.
Acredito que (o) posso.
Porque quero.
domingo, 20 de fevereiro de 2011
Uma defesa do anonimato
(carta a George B. Moore para negar-lhe uma entrevista)
Não sei porque escrevemos, querido George
e muitas vezes me pergunto por que mais tarde
publicamos o escrito.
Quer dizer, lançamos
uma garrafa ao mar, que está repleto
de lixo e de garrafas com mensagens.
Nunca saberemos
a quem nem onde as arrojarão as marés.
O mais provável
é que sucumba na tempestade e no abismo,
na areia do fundo que é a morte.
E no entanto
não é inteiramente inútil este trejeito de náufrago.
Porque num domingo
liga-me você de Estes Park, Colorado.
e diz-me que leu quanto está na garrafa
(suplantados os mares: as nossas duas línguas).
E quer fazer-me uma entrevista.
Como explicar-lhe que jamais dei
uma entrevista,
que a minha ambição é ser lido e não “célebre”,
que importa o texto e não o autor do texto,
que descreio do circo literário.
Logo recebo um imenso telegrama
(o horror que há-de ter gastado ao enviá-lo).
Não posso responder-lhe nem deixá-lo em silêncio.
E ocorrem-me estes versos. Não é um poema.
Não aspira ao privilégio da poesia
(não é voluntária).
Vou antes usar, como o faziam os antigos,
o verso como instrumento de tudo aquilo
(relato, carta, drama, história, manual agrícola)
que hoje dizemos em prosa.
Para começar a não responder-lhe direi:
Não tenho nada que acrescentar ao que está nos meus poemas
não me interessa comentá-los, não me preocupa
(se algum tenho) o meu “lugar na história”
(tarde ou cedo a todos ceifa o naufrágio).
Escrevo e isso é tudo. Escrevo: dou a metade do poema.
Poesia não é sinais negros na página em branco.
Chamo poesia a esse lugar do encontro
com a experiência alheia. O leitor, a leitora
farão ou não, o poema que tão somente esbocei.
Não lemos os outros: lemos-nos neles.
Parece-me um milagre
que alguém que desconheço possa ver-se no meu espelho.
Se há um mérito nisto – disse-o Pessoa –
cabe aos versos, não ao autor dos versos.
Se por casualidade é um grande poeta
deixará quatro ou cinco poemas válidos
rodeados de fracassos e borrões.
As suas opiniões pessoais
são de verdade muito pouco interessantes.
Estranho mundo o nosso: cada dia
lhe interessam mais os poetas;
a poesia cada vez menos.
O poeta deixou de ser a voz de sua tribo,
aquele que fala pelos que não falam.
Evaporou-se em nada ou é mais outro entertainer.
As suas bebedeiras, as suas fornicações, a sua história
clínica,
as suas alianças ou picardias com os demais palhaços do circo,
com o trapezista e o domador de elefantes,
têm assegurado o amplo público
a quem já não faz falta ler poemas.
Continuo pensando
que é outra coisa a poesia:
uma forma de amor que só existe em silêncio,
num pacto secreto entre duas pessoas,
de dois desconhecidos quase sempre.
Acaso leu você que Juan Ramón Jiménez
pensou faz meio século editar uma revista.
Ia-se chamar Anonimato.
Publicaria textos, não assinaturas,
e se faria com poemas, não com poetas.
Eu gostaria como o mestre espanhol
que a poesia fosse anónima já que é colectiva
(a isso tendem os meus poemas e versões).
Possivelmente você me dará razão.
Você que me leu e não me conhece.
Não nos veremos nunca mas o nosso laço é firme.
Se lhe agradaram os meus versos
que importa o serem meus/ de outros / de ninguém.
Na realidade, os poemas que leu são seus:
Você, o seu autor, que os engendra ao lê-los.
- José Emílio Pacheco
(tradução de António Cabrita)
encontrado aqui pelo Melhor Amigo e escandalosamente roubado por mim. Couldn't help it. Thanks Diogo :)
(carta a George B. Moore para negar-lhe uma entrevista)
Não sei porque escrevemos, querido George
e muitas vezes me pergunto por que mais tarde
publicamos o escrito.
Quer dizer, lançamos
uma garrafa ao mar, que está repleto
de lixo e de garrafas com mensagens.
Nunca saberemos
a quem nem onde as arrojarão as marés.
O mais provável
é que sucumba na tempestade e no abismo,
na areia do fundo que é a morte.
E no entanto
não é inteiramente inútil este trejeito de náufrago.
Porque num domingo
liga-me você de Estes Park, Colorado.
e diz-me que leu quanto está na garrafa
(suplantados os mares: as nossas duas línguas).
E quer fazer-me uma entrevista.
Como explicar-lhe que jamais dei
uma entrevista,
que a minha ambição é ser lido e não “célebre”,
que importa o texto e não o autor do texto,
que descreio do circo literário.
Logo recebo um imenso telegrama
(o horror que há-de ter gastado ao enviá-lo).
Não posso responder-lhe nem deixá-lo em silêncio.
E ocorrem-me estes versos. Não é um poema.
Não aspira ao privilégio da poesia
(não é voluntária).
Vou antes usar, como o faziam os antigos,
o verso como instrumento de tudo aquilo
(relato, carta, drama, história, manual agrícola)
que hoje dizemos em prosa.
Para começar a não responder-lhe direi:
Não tenho nada que acrescentar ao que está nos meus poemas
não me interessa comentá-los, não me preocupa
(se algum tenho) o meu “lugar na história”
(tarde ou cedo a todos ceifa o naufrágio).
Escrevo e isso é tudo. Escrevo: dou a metade do poema.
Poesia não é sinais negros na página em branco.
Chamo poesia a esse lugar do encontro
com a experiência alheia. O leitor, a leitora
farão ou não, o poema que tão somente esbocei.
Não lemos os outros: lemos-nos neles.
Parece-me um milagre
que alguém que desconheço possa ver-se no meu espelho.
Se há um mérito nisto – disse-o Pessoa –
cabe aos versos, não ao autor dos versos.
Se por casualidade é um grande poeta
deixará quatro ou cinco poemas válidos
rodeados de fracassos e borrões.
As suas opiniões pessoais
são de verdade muito pouco interessantes.
Estranho mundo o nosso: cada dia
lhe interessam mais os poetas;
a poesia cada vez menos.
O poeta deixou de ser a voz de sua tribo,
aquele que fala pelos que não falam.
Evaporou-se em nada ou é mais outro entertainer.
As suas bebedeiras, as suas fornicações, a sua história
clínica,
as suas alianças ou picardias com os demais palhaços do circo,
com o trapezista e o domador de elefantes,
têm assegurado o amplo público
a quem já não faz falta ler poemas.
Continuo pensando
que é outra coisa a poesia:
uma forma de amor que só existe em silêncio,
num pacto secreto entre duas pessoas,
de dois desconhecidos quase sempre.
Acaso leu você que Juan Ramón Jiménez
pensou faz meio século editar uma revista.
Ia-se chamar Anonimato.
Publicaria textos, não assinaturas,
e se faria com poemas, não com poetas.
Eu gostaria como o mestre espanhol
que a poesia fosse anónima já que é colectiva
(a isso tendem os meus poemas e versões).
Possivelmente você me dará razão.
Você que me leu e não me conhece.
Não nos veremos nunca mas o nosso laço é firme.
Se lhe agradaram os meus versos
que importa o serem meus/ de outros / de ninguém.
Na realidade, os poemas que leu são seus:
Você, o seu autor, que os engendra ao lê-los.
- José Emílio Pacheco
(tradução de António Cabrita)
encontrado aqui pelo Melhor Amigo e escandalosamente roubado por mim. Couldn't help it. Thanks Diogo :)
In these bodies we will live, in these bodies we will die
Where you invest your love, you invest your life.
Where you invest your love, you invest your life.
terça-feira, 15 de fevereiro de 2011
i dive deep when it's ten feet overhead
grab the reef underneath my bed
ain't got no quarrels with god
ain't got no time to grow old
lord knows i'm weak
grab the reef underneath my bed
ain't got no quarrels with god
ain't got no time to grow old
lord knows i'm weak
Para nos lembrar que o Direito é uma doença...
...quando ao ler Menezes Cordeiro o ouvimos em voz-off.
Ideia brilhante do dia (e são só 2 a.m.): Os tomos do Tratado em audiolivro. Estou a pensar num James Earl Jones (280º CC). Ok, pronto, num Morgan Freeman.
Ideia brilhante do dia (e são só 2 a.m.): Os tomos do Tratado em audiolivro. Estou a pensar num James Earl Jones (280º CC). Ok, pronto, num Morgan Freeman.
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Para lembrar que o Direito é uma doença...
domingo, 13 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
Dog Mendonça e Pizza Boy nomeado para Melhor Album Europeu de BD nos Eagle Awards
http://www.eagleawards.co.uk/
É a pergunta 18. Pelo caminho, já agora: Juan cavia, Santiago Villa, Tinta da China, Filipe Melo e, claro, os preferidos de cada um.
This totally is a big thing.
É a pergunta 18. Pelo caminho, já agora: Juan cavia, Santiago Villa, Tinta da China, Filipe Melo e, claro, os preferidos de cada um.
This totally is a big thing.
!!!
P.S: one of many reasons not to do Coimbra;
P.p.s: falta um bocadinho para fazer anos, mas aceito o benefício do prazo.
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Para lembrar que o Direito é uma doença...,
Phillip Roth
quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011
behind my smile
it shakes my teeth
Pixies
it shakes my teeth
Pixies
vivemos num microclima
Inverno, crónico
que nos murcha as impressões,
endurece os ossos e vicia as sinapses.
elas de bicos de pés que sangram
eles engasgam o último botão
a_corda
da forca
aperta a jugular até que morram
os neurónios
secos
areia
a cair da ampulheta.
mas somos reis, ladrões, polícias, capitães
- existo, logo, penso
diz a mãe
que o faço muito bem!
E todos os cafés que fujo me levam
portas de fundos.
trair a D.Ema com a máquina do 1º andar
de onde os dentes não batem
e os pulmões respiram
e os olhos vêm o caminho.
Vêrde
vocês também.
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
Estagio para uma eventualidade provavel.
P.S: agora confirmada (primeira metade fraquíssima; bate no fundo com no one's gonna love you more than i do; vira o jogo com funeral e recupera alguma dignidade até ao final. pouca though: aquela que lhe esperava. fazem-se dificeis e pessoas pacientes que provavelmente já sentiam o peso do bilhete - not me, thankfully- conseguem encore. the end.).
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domingo, 6 de fevereiro de 2011
sábado, 5 de fevereiro de 2011
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
Fariam 5 anos.
Consta que o primeiro ensaio se deu a 2.02.2006
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Verão
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
You see, I have this condition...
P.S: era bom que isto pegasse no exame. ou que eu me obedecesse.
P.S: era bom que isto pegasse no exame. ou que eu me obedecesse.
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Para lembrar que o Direito é uma doença...
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