quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Política, em Portugal? Onde?

Todo o blog fala de política.
O meu mal fala, quanto mais de política!
But I went nuts e lá me deu para a coisa:

É nestes dias que eu percebo o porquê do meu repúdio quanto à ideia de uma minha eventual filiação a uma juventude partidária.
Se me preocupo, se estou a par e se gosto de política porque é que cada vez que penso em juntar-me a uma J me sinto claustrofóbica?
Ora a resposta reside precisamente aí: basta prestar 2 minutos de atenção a um jornal para desesperar!

A política enquanto ciência é fascinante e os partidos um mal necessário, mas como aproveitar deles o que quer que seja?

O BE, enquanto "esquerda champagne" cai no ridiculo pela falta de base consistente nas suas posições, tal qual menino rico que quer ser cool, tal qual tia da Linha que se diz open minded.

O PCP nem tem muito que dizer: o comunismo é utópico e a célula das suas preocupações devia ser a Pessoa Humana e não o proletário. Estamos no seculo XXI.

O PS sempre teve muito em comum com a Rute Marlene: ora pisca o olho à esquerda ora o pisca para a direita, conforma lhe convém. É inteligente. É política. É muitas vezes contraditório.
Se acho muito bem que o país se pique, se mexa, se revolte contra o seu próprio conformismo, easy going filosophy e tudo aquilo que sabemos que falha no povo português, é lógico que acho muito bem as reformas que o PS faz, ou acharia, se elas fossem reformas honestas e não reformas para as estatísticas.
No fundo assistimos a um "evoluir na continuidade" e as reformas formais têm pouca correspondencia material.
Veja-se o que acontece com as Novas Oportunidades e os modelos de avaliação do Ensino Secundário actual. É facilitar para parecer bem na foto de familia da UE.

O PSD, depois de um ano de marasmo como o de 2007/2008, chega a um ano em que nem os próprios militantes sabem que posições adoptar, no fundo nem os proprios corpos do partido parecem saber o que fazem nem para que é que o fazem.
Se Manuela Ferreira Leite era a grande esperança de muitos, um pulso firme e trabalhador para indicar um rumo, pois bem, quer me parecer que o seu GPS avariou...
O PSD está perdido no nada - ou antes, os militantes estão perdidos no nada, porque MFL está de retiro constante e ninguém percebe muito bem o que lá faz. O seu repúdio pelo mediatismo já se sabia poder ser entrave, mas a vontade para arrancar era muita e apostou-se na sua capacidade de trabalho. O problema é: não se vê trabalho nenhum. Quando há questões polémicas, o PSD abstem-se (ex: Código do Trabalho) quando devia tomar posição (mesmo que a favor). A abstenção não é forma de protesto. Protesto seria votar contra. Razoável seria apresentar contra-propostas. Razoável seria estar a par. Sensato seria pensar no que se diz.
É que se MFL estava a ser irónica - e acredito que estava - devia ter tido em conta anteriores declarações em que se mostrou - e não ha outra palavra - preconceituosa. Os comentários de MFL têm sido de vizinha cusca que gosta de ver as zaragatas só para dizer que sabe que as houve, mas que depois só fala de futilidades: das novelas da TVI, do Ronaldo, do carro novo do vizinho de cima e da galdéria do 3º Esq.º.

Concluindo: MFL não é criteriosa nas suas intervenções - que as fizesse pouco, mas que as fizesse bem. E não mostra sequer estar a desenvolver bases para um potencial mandato (dela ou de outro qq candidato do PSD) no Governo.

O CDS-PP é puro show-off. É Paulo Portas. Democratas-cristãos? Yeah, right! Quantos mais conheço, menos acho que o sejam. É para o tacho. É porque é um partido pequeno, onde seria fácil brilhar, nao fosse Paulo Portas. Mas o que é que o PP tem para oferecer realmente? Ok, é um partido de quadros, não pressupõe muita intervenção, mas exige-se base ideolõgica consistente. Podem dizer que a têm, mas é só basófia.

Como me disse alguém uma vez: eu não me ligo a partidos, ligo-me a ideias.
Consistentes, exequíveis, inteligentes e práticas. Ideias, entenda-se, na base de actuações.

Porque de boas intenções está o Mundo cheio.

1 comentário:

Bill disse...

Só pérolas. Uma das piores leituras de sempre do panorama partidário nacional. Arrepiante.