quarta-feira, 2 de novembro de 2011

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A minha mãe sempre me ensinou que as pessoas-de-qualquer-forma-famosas também têm direito a ter vida privada, a ir ao supermercado descansadas e que não se deve abordá-las a não ser que estejam em trabalho, por este implicar, per se, exposição ao público. Na faculdade, as coisas tornaram-se mais rigorosas com a Teoria das Esferas e uma melhoria sobre o Direito à Imagem na Common Law. Ora, apesar de habituada desde criança, isto coloca alguns “problemas” a quem tem por heróis pessoas comuns que, portanto, não se expõem ao público assim, com facilidade ou frequência, e, simultâneamente, acha que os heróis são mais heróis se o forem em várias dimensões da vida - enão só na profissional.

Daí que ache mágico quando, somehow, são eles que vêm ter comigo e me deixam conhecer um bocadinho mais do que aquilo a que temos acesso.
É uma espécie de sempre dependi da bondade de estranhos.

Ontem, por exemplo, reparei logo quando entrei no Metro. Não reconheci, obviamente. Foi a figura em si que chamou à atenção e, à medida que as pessoas saiam nas estações e nos deixávamos para o fim, comecei a perguntar-me se também iria para o Festival. À saída, dirigia-me para o mapa do Metro - como pessoa que não vai ao Festival Internacional de Banda Desenhada da Amadora desde que entrou para a faculdade e, por isso, gasta papel a imprimir mapas do Google de que se esquece em casa – quando me perguntou aquilo que também eu procurava.

Consulta de mapa, pergunta ao Segurança, e lá fomos, num inicial vim hoje porque dão dilúvio para amanhã, nunca tinha vindo senão de carro e disseram-me que são só dez minutos a pé, e coisas que tais.

Os dez minutos não eram dez minutos, e disso o Google avisou-me. A conversa prolongar-se-ia, mas houve a altura em que entrou em profissões:

- mas é da área? Se trabalha em BD, digo.
- Fui o homenageado este ano.

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