Não gosto de falar de política, i.e., tal como a religião e afins, são temas de conversa que se transformam geralmente em discussões cansativas, pelo peso da subjectividade inerente a tal troca de ideias e, mostly, pela aparente incapacidade da maioria dos seres humanos de a aceitar sem menosprezos/arrogâncias.
Na minha faculdade (e não só, mas talvez pelo espicaçar constante do sentido crítico), toda a gente tem uma palavra a dizer sobre tudo, principalmente, sobre política (mas também sobre o vizinho do lado). Eu inclusive.
No entanto, duvido que alguém se recorde do facto de sermos todos humanos e, consequentemente, dotados de racionalidade não livre de vícios/condicionantes, pelo que o fazem não como mera exteriorização de efeitos catarquicos ou comunicativos escolhendo com alguma cautela o interluctor, mas na tentativa de impor através de uma auctoritas imaginária as suas considerações.
Há igualmente uma tendência para reduzir a vida e todas as vias de afirmação nela à política.
Nesta, já não me incluo.
A política faz parte da minha vida, é certo, mas é apenas uma das várias àreas. Daí que me mantenha a par, preocupe e, por vezes, participe até nalgumas actividades.
Eu penso assim: a política trata de assuntos que nos dizem respeito e que, directa ou indirectamente nos afectam. Ora, eu detesto que tomem decisões por mim e, já que não consigo decidir sózinha os assuntos de uma nação (nem ousaria ambiciar tal responsabilidade) de modo a assegurar a protecção dos meus interesses, acredito que deva ir tão longe quanto me seja permitido para que aquilo que penso acerca dos ditos assuntos seja tomado em conta.
Acaba por ser uma forma de aliviar a minha consciência. I did my share. Ainda que esta se tenha limitado a dois riscos intersectados dentro de um quadradinho.
Tudo isto para dizer que não reduzo a minha vida a esta parcela da mesma.
Não interessa nomear e hierarquizar aqui as restantes, mas sim qualificá-las como formas de expressão humana.
Assim, por exemplo, um pintor, um professor, um padre, um músico têm, a meu ver tantas hipóteses de serem bons naquilo que fazem, fazerem o seu bocadinho pelo mundo e marcarem vidas (a maneira mais eficaz de deixar claro que se viveu) como tem alguém que enverede pela vida política.
E são formas de realização pessoal igualmente válidas.
Seria redutor dizer que a única forma de afirmar uma existência se resumia a uma só área da vida - que felizmente é tão complexa.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
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