quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Poética

Todos temos um amigo morto
e um amor que partiu, ao amanhecer,
e nos deixou a luz feita em pedaços.

Um pai e uma mãe que se esgotam
... uma foto em Lisboa, um cão tonto,
dois ou três livros, quatro ou cinco quadros.


Todos temos uma rua escura,
uma avenida que nos reconhece,
uma árvore velha e um antigo pátio.


E a certeza de que tanto é nada,
a desgraça de ser o que perdemos,
a sorte de viver para contá-lo.

Ángel Mendonza, in CRIATURA VI



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