Não conheço a penumbra dos bosques
ou a fugaz felicidade dos trilhos,
avara, suave incerteza no tempo que me muda.
Mas isto, que é pouco, sei: não saberás de mim.
Podes pesar no meu o teu olhar, suspender
a minha pele, reflectir o timbre da voz que
se queima na garganta, ler as palavras
que uso para dizer a posição do corpo,
sem fadiga ou solidão, o cotovelo no braço
plástico da cadeira, as pernas flectidas,
os pés nus tocados pela brisa fria da Primavera
que tarda. Mas não saberás de mim.
Posso falar-te dos figos roubados nas quintas,
do teatro dos rostos, da rugosidade da fala,
de uma lanterna nocturna, de uma bicicleta
sem travões. Ou de uma casa com a minha idade
e tristes flores de papel nas paredes, de bátegas
na janela, de compras em família, de páginas
riscadas: não saberás de mim. E o preço
a pagar é o mais elevado, pois de ti nada
poderei vir a saber. E não me refiro
a sacrifícios ou outros sentimentos, basta-me
a pulsação das veias. De ti não saberei.
Todos os dias cruzamos os nossos caminhos
mas cedo compreendemos que, cerradamente
como o dia e a noite, cada um se perde no seu.
ou a fugaz felicidade dos trilhos,
avara, suave incerteza no tempo que me muda.
Mas isto, que é pouco, sei: não saberás de mim.
Podes pesar no meu o teu olhar, suspender
a minha pele, reflectir o timbre da voz que
se queima na garganta, ler as palavras
que uso para dizer a posição do corpo,
sem fadiga ou solidão, o cotovelo no braço
plástico da cadeira, as pernas flectidas,
os pés nus tocados pela brisa fria da Primavera
que tarda. Mas não saberás de mim.
Posso falar-te dos figos roubados nas quintas,
do teatro dos rostos, da rugosidade da fala,
de uma lanterna nocturna, de uma bicicleta
sem travões. Ou de uma casa com a minha idade
e tristes flores de papel nas paredes, de bátegas
na janela, de compras em família, de páginas
riscadas: não saberás de mim. E o preço
a pagar é o mais elevado, pois de ti nada
poderei vir a saber. E não me refiro
a sacrifícios ou outros sentimentos, basta-me
a pulsação das veias. De ti não saberei.
Todos os dias cruzamos os nossos caminhos
mas cedo compreendemos que, cerradamente
como o dia e a noite, cada um se perde no seu.
Luis Filipe Parrado
Criatura IV
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